Boletim Na Rua - no. 4 
November 11th, 2007 | Publicado em Boletim
Quarta edição, quase um mês de vida já, e crescendo. Agradeço os comentários e as citações no Novo Em Folha, blog da Ana Estela, editora de treinamento da Folha de S. Paulo, e no blog do escritor Sacolinha, valeu a força. Essa semana, o boletim tem uma edição bem multimídia. Confira.
- FOTOJORNALISMO: Não é por ser meu amigo, mas por ser um ótimo fotógrafo, que divulgo o mais recente feito do Marcelo Min, em sua primeira colaboração internacional, segundo ele. O jornal The Daily Advertiser, de Lafayette, Louisiana, EUA, publicou esta semana um especial sobre o etanol, que inclui uma reportagem do jornalista americano Bob Moser sobre a cultura da cana-de-açúcar no Brasil, com fotos do Marcelo Min. O material saiu tanto na edição impressa quanto na online, sendo que esta ganhou uma apresentação especial incluindo áudio e infografia. Comentário: os jornais americanos parecem ter encontrado uma saída para aproveitar bem a internet, ao contrário dos brasileiros (mas esse é um debate que não cabe nesse boletim). Vale lembrar que os EUA têm um jornalismo local muito forte, sendo muitas vezes mais influentes na opinião pública local do que os grandes. Via Fotogarrafa.
- JORNALISMO 2.0: Um dos temas mais discutidos no meio jornalístico americano, no Brasil um pouco menos, naturalmente, é o jornalismo cidadão, ou melhor, a participação do público não-jornalista no processo noticioso. Muito se discute sobre a qualidade dessa participação, e os mais apocalípticos a anunciam como o fim do jornalismo. Para pôr mais conteúdo na discussão, a revista Wired e o site newassignment.net lançaram o Zero Assignment. Funciona mais ou menos assim: um grupo de editores divulga uma série de pautas, que são quebradas em tarefas (assignments) - entrevistas, checagem, edição. Quando uma história é dada por completa, é publicada, e algumas são selecionadas para a Wired. Parece complicado, mas chama a atenção para o que eles chamam de "Jornalismo de Código Aberto". Talvez possamos simplificar um pouco o processo para trazer a idéia para cá, o que acham?
- Vejam este artigo justamente sobre o "Open Source Journalism", produzido pelo Zero Assignment;
- MULTIMÍDIA: Jornalismo multimídia não é, necessariamente, feito para a internet. Vide, por exemplo, essa reportagem em quadrinhos publicada pelo jornal A Tarde, de Salvador, sobre a história do movimento estudantil baiano. Conforme diz o blog GJol, "a reportagem é resultado do trabalho de conclusão de curso dos jornalistas Caio Coutinho, Fábio Franco e Leandro Silveira no curso de jornalismo do Centro Universitário da Bahia". Uma pena o conteúdo do site do jornal ser fechado para pagantes. Para mais quadrinhos, indico os livros Persepolis, de Marjane Satrapi (que virou filme!) e Maus, de Art Spiegelman. Obras-primas.
- WEB-REPORTAGEM: Algumas vezes, uma obra pode ser muito boa, mas, de tão extensa, chega a cansar. Foi o que pensei quando encontrei o web-documentário "Culture In Crisis", sobre a cultura aborígene australiana, produzido pelo site News.com.au. A qualidade do material é indiscutível, mas não é algo para ser visto de uma vez. Bom pra ser favoritado e depois degustado em pequenas doses.
- WEB 2.0: Quem usa serviços como o Flickr deve conhecer a palavra geotagging, que se refere à localização de um conteúdo em um mapa interativo, como o Google Maps. As aplicações para o jornalismo são imediatas, penso. Agora, a novidade aqui é o vídeo mapeado, serviço do site VeoGeo. Imagine uma road trip, uma daquelas viagens pelos Andes, por exemplo. Grave um trecho da viagem conectado a um aparelho de GPS, junte tudo e você tem, de um lado o vídeo, de outro um mapa animado mostrando o seu caminho em tempo real. Ouvi alguém dizer jornalismo aí? A pensar. Via Carnet de Notes.
- PORTFOLIO I: O primeiro é brasileiro e, tal qual a reportagem australiana acima, não é algo a ser devorado, e sim absorvido calmamente. Em 2003, a fotógrafa mineira Kátia Lombardi iniciou o projeto "Guardiões do Patrimônio", em que retrata as pessoas, muitas vezes anônimas em princípio, que tomam conta do imenso patrimônio histórico da cidade de São João Del-Rey. Além do resultado fotográfico e jornalístico impressionantes, chama a atenção a belíssima apresentação visual do website.
- PORTFOLIO II: "Hoje me considero abençoado por poder ser um fotógrafo. Poder articular a experiência daqueles que não têm voz, trazer as suas identidades à tona, tudo isso dá sentido e utilidade à minha vida". Nascido em Bangladesh em 1977, G M B Akash começou a fotografar em 1996. Desde então, já publicou em 35 grandes veículos internacionais e ganhou vários prêmios pelo mundo. O site é simples, bom para lembrar que o que realmente importa são as histórias.
- HOMENAGEM: Deixo aqui registrado o meu apreço a Norman Mailer, meu ex-"vizinho" de Brooklyn, falecido no sábado, aos 84 anos. Só para dar uma idéia de como o velho rabugento era admirado:
- Artigo no site da revista New Yorker sobre Mailer;
- Norman Mailer, towering writer with a matching ego - do New York Times;
- Why Norman Mailer mattered? - da Time Magazine;
- Norman Mailer, The Last Man Standing - da Esquire.







