Ponte Aérea Capão Redondo - Chelsea 
April 6th, 2007 | Publicado em Arte, Graffiti, NYC, Sampa | 2 Comentários
(Ou o dia em que os ‘maluco’ curtiram uma na ‘gringa’...)
“Como é que você convence o Consulado Americano que toda essa galera, alguns com ficha na polícia, é artista?”. Começa aí a aventura. A frase é de Eduardo Saretta, sócio da Galeria Choque Cultural, de São Paulo; a "galera", 8 artistas representados pela galeria. Eles vieram expor sua “arte de rua” em Nova York no mês passado, e a batalha pelo visto americano é apenas uma das histórias que eles têm para contar. Em fevereiro passado, a Jonathan LeVine Gallery abriu a exposição “Ruas de São Paulo: A Survey of Brazilian Street Art”, em conjunto com a Choque Cultural, que representa boa parte dos representantes dessa arte fácil de visualizar, mas difícil de descrever. No caso, “Street Art”, ou Arte de Rua, inclui graffiti, stencil, stickers, tagging etc., e os ‘oito da Choque’, para não deixá-los sem o devido crédito, são Fefe, Titi Freak, Kboco, Highraff, Speto, Onesto, Zezão e Boleta. “Tudo começou quando eu descobri o livro ‘Graffiti Brasil’, do Tristan Manco. Foi abrir o livro e decidir ir para São Paulo”, conta Jonathan LeVine, dono da galeria americana, que confessa que seus conhecimentos de Brasil até então não iam muito além de “samba, Pelé e garotas de Ipanema”. Pra não se dizer completamente ignorante, Jonathan lembra que já conhecia e admirava o trabalho da dupla Os Gêmeos, que já tinham certa projeção internacional na época. “Fiquei extasiado quando vi o trabalho desses artistas, era totalmente diferente do que eu já tinha visto nos Estados Unidos e na Europa. Fiquei intrigado por essa mistura de cores fortes e imagens meio infantis, de cartoon, mas que ainda assim contêm uma forte crítica social”, conta. Algumas semanas depois, em São Paulo, Jonathan encontrou o fotógrafo Ignácio Aronovich, criador do site Lost.Art e autor de boa parte das fotos do livro “Graffiti Brasil”, e começou a sua peregrinação pelas ruas paulistanas, acompanhado pela equipe da Choque Cultural. “Nós passávamos o dia andando pela cidade, e eu pude ver de perto esses trabalhos. Voltei para NY meio atordoado, e decidido a trazer esse trabalho para cá”.Com a mão na massa
Da inspiração à realização, um ano se passou. A idéia era trazer todos os artistas para Nova York, para que eles literalmente pintassem e bordassem na galeria. “Nosso problema era conseguir dinheiro pra trazer todos”, lembra Eduardo. A solução partiu de artistas representados por Jonathan, que doaram algumas de suas obras para que fossem leiloadas. Com o dinheiro arrecadado e visto na mão, era só embarcar. Os oito artistas, mais os donos da Choque Cultural, passaram cerca de duas semanas em Nova York, preparando a exposição, conferindo o trabalho local e, claro, gastando tinta. “A gente queria trazer para cá essa coisa brasileira de chegar e fazer, sujar a parede, se virar”, conta Eduardo. “Queríamos criar aqui um ambiente parecido com o da sede da Choque, algo bem diferente daquela coisa ‘quadro na parede’, tradicional”, completa Jonathan. Os ‘oito’ ainda tiveram a chance de conhecer o ‘outro lado’ da cidade, lado que deu origem a tudo isso. Numa tarde congelante de inverno, o grupo foi visitar uma escola pública do Bronx, bairro mais pobre de Nova York e que também é o berço do hip hop. “Foi como estar em São Paulo, os mesmos problemas, as mesmas necessidades”, lembra Eduardo. Além de pintar os muros da escola, eles deram uma aula de street art para um grupo de alunos da escola. Nova York, no entanto, não é mais a mesma de 20 anos atrás, quando o movimento hip hop e o graffiti explodiram, e os artistas brazucas sentiram na pele a pressão. “A gente estava pintando um mural na rua, a pedido do dono de um bar, e a polícia veio perguntar o que significava aquilo”, lembra Eduardo. “No dia da abertura da exposição, os vizinhos aqui da galeria chamaram a polícia e os bombeiros por causa do cheiro de spray, ameaçaram desligar os elevadores, foi uma confusão”, completa Jonathan.História pra contar
"Pode ter certeza que, daqui a cinco, dez anos, ainda sentiremos o resultado desse encontro.” Jonathan LeVineNo final, os contratempos viram histórias e dão um certo tempero à aventura. Dos dois lados, o americano e o brasileiro, a avaliação é a mesma: sucesso total. A galeria lotou na noite de abertura, a recepção da crítica foi ótima, e quase todas as obras foram vendidas no decorrer da exposição, que se encerrou na metade de março. “Nós nunca achamos que viríamos direto para Nova York; agora podemos sair daqui com esse carimbo, esse atestado de qualidade”, comemora Eduardo. Qualidade atestada, mais passagens na mão. Titi Freak saiu de Nova York para Osaka, no Japão; Onesto, direto para a Califórnia, e Kboco, para a Bienal de Valencia, Espanha. “Isso é só o começo de algo muito maior. Nós ainda não temos muito como saber o que essa exposição vai causar, mas você pode ter certeza que, daqui a cinco, dez anos, ainda sentiremos o resultado desse encontro”, conclui Jonathan.








July 14th, 2007às 2:59 pm(#)
Gente, esse site é muito bom! E o trabalho dos caras excelente.
July 19th, 2007às 8:31 am(#)
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