Imigrantes pedem anistia nas ruas de Nova York
August 17th, 2006 | Publicado em Uncategorized
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Milhares de imigrantes (legais e ilegais) saíram às ruas dos Estados Unidos nos dias 10 de abril e 1 de maio de 2006, acompanhados pela população que apóia a causa. Eles pedem a aprovação de uma lei que os transforme em cidadãos
americanos. O tema é periódico - a última “anistia” aconteceu em 1986,
mas sempre contraditório e, como sempre, divide o país entre
democratas, que apóiam a anistia irrestrita, e republicanos, que tendem
a se opor.
Milhares de imigrantes (legais e ilegais) saíram às ruas dos Estados Unidos nos dias 10 de abril e 1 de maio de 2006, acompanhados pela população que apóia a causa. Eles pedem a aprovação de uma lei que os transforme em cidadãos
americanos. O tema é periódico - a última “anistia” aconteceu em 1986,
mas sempre contraditório e, como sempre, divide o país entre
democratas, que apóiam a anistia irrestrita, e republicanos, que tendem
a se opor.
“Tendem” porque nem estes conseguem ignorar o peso
político de uma comunidade que cresce a cada dia, mesmo ilegal. Hoje já
são cerca de 11 milhões de imigrantes ilegais vivendo nos Estados
Unidos, sem contar a imensa população já naturalizada que serve de base
de apoio. A influência da comunidade latina é tão grande por aqui que
já se pensa em inserir o Espanhol como segunda língua nas escolas do
país.
Mas há outra coisa que os republicanos não conseguem ignorar: eles precisam de alguém que faça o trabalho sujo,
que limpe privadas e lave pratos. E já faz um bom tempo que eles não
conseguem colocar o preto nessa função. Abaixo do preto, na hierárquica
cabeça republicana-conservadora, vem o latino, que também tem a
vantagem de não custar metade do preço de um americano, seja ele preto
ou branco.
O que os ilegais buscam, portanto, é sair da sombra. É confortável
para o patrão branco ter um empregado ilegal: ele aceita até menos do
que o salário mínimo, não tem plano de saúde, previdência ou qualquer
outra garantia. E mais: fica quietinho no seu canto, porque sabe que qualquer erro pode acabar de vez com o tal sonho.
O lado irônico dessa história é que, mesmo com o
clima de rejeição em relação aos imigrantes, o país cria estruturas que
permitem e facilitam a permanência deles. Quem manda por aqui é o
dinheiro. Você pode alugar casa, comprar o que quiser - dependendo do
estado, até carro - sem mostrar um documento. Sempre há uma brecha na
legislação que permite viver uma vida relativamente tranquila, desde
que você não crie problemas. Trabalho árduo, claro, mas que fica leve
quando as “verdinhas” tocam a sua mão.
A aprovação da anistia não vai resolver o problema, nem acabar com a discriminação.
No fundo, o que se cria é uma classe de sub-empregados, mas com
garantias. Eles vão continuar ganhando menos, fazendo o trabalho sujo,
mas sem se esconder. Pra quem colocou a vida em risco pra chegar até
aqui, não há mais muito o que perder. A ganhar, pessoalmente, também
não há mais muito, mas a resignação e o instinto materno transferem o sonho para a próxima geração: seus filhos não voltarão mais para casa.
Clique na imagem para ver um slideshow com fotos e áudio das manifestações:








