NA RUA
por paulo fehlauer


    Sede não é nada? Twit-it!

    February 10th, 2006  |  Publicado em Uncategorized

    Pqp de NY I
    East 105th St., Brooklyn, Nova York, EUA - 10.02.2006

    Pqp de NY II...

    Pqp de NY I
    East 105th St., Brooklyn, Nova York, EUA - 10.02.2006

    Pqp de NY II
    East 105th St., Brooklyn, Nova York, EUA - 10.02.2006

    Não parece, mas é. Nova York ofuscada pelo brilho da ilha da fantasia. Só consegui mostrar um pouco da paisagem física, mas dá pra imaginar que, conforme o trem se afasta dos arranha-céus, a paisagem humana vai “escurecendo”, se é que vocês me entendem. Milhões de pretos, latinos e etecéteras viajam algumas horas todos os dias para servir de mão de obra sob os vidros espelhados. Aqueles que se resignam ficam por ali mesmo, e se viram como podem. Os Estados Unidos têm pobreza sim, e a pobreza é racista sim. Mas num país que é pura imagem, ela não costuma aparecer na TV. E, como boa metrópole, NY esconde os pobres nos confins da cidade, onde ainda sobram alguns poucos terrenos baldios e onde o mercado imobiliário ainda não pôs as suas garras.

    Algumas vezes, a cicatriz é exposta. O furacão Katrina foi um exemplo - a imensa maioria dos mortos e desabrigados é negra - e, como disse na época, em rede nacional, o rapper Kanye West, “George Bush doesn’t care about black people” (George Bush não liga pra preto). O branquelo Mike Myers, que apresentava o programa, ficou de boca aberta.

    Não acho que haja aqui uma pobreza como a nossa ou a da África. Felizmente o orgulho deles não deixa isso acontecer. Mas há muita maquiagem em toda essa história. Favela aqui chama project (algo parecido com os Cingapuras do Maluf). Qualquer americano pode descrever um: enormes conjuntos de edifícios, habitados basicamente por negros, antros de drogadição e perdição, onde reina a lei do silêncio. Ah, também são o paraíso dos food stamps (vale-refeição) e o berço de 90% dos rappers que hoje fazem milhões.

    E algo pior está por vir. Pra provar que não liga pra rappers ou sociólogos, Bush e seus urubus petrolíferos resolveram cortar alguns milhões nesses benefícios por uma causa nobilíssima: cobrir uma redução no imposto de renda da sua base eleitoral - o TOP 500 da revista Fortune. Pelo menos ele é sincero…

    Mas isso ainda é a pobreza legal. Quando ela vira ilegal, aí o bicho pega. Em breve.


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