NA RUA
por paulo fehlauer


    Abaixa a cabeça e diz ?Sim, senhor?

    January 9th, 2006  |  Publicado em Uncategorized

    Nos últimos dias, andei conversando sobre política e a situação atual do Brasil. Esse é um tema que sempre me deixa “grilado”. Depois da burrada do…

    Nos últimos dias, andei conversando sobre política e a situação atual do Brasil. Esse é um tema que sempre me deixa “grilado”. Depois da burrada do Collor, muita gente falou que a culpa era da democracia ainda crua do país; o povo não estava acostumado com aquilo e os erros seriam “menos condenáveis” então.

    Já se passaram mais de 20 anos do fim do regime militar e 4 presidentes já foram eleitos pelo povo. Já elegemos governos de direita e esquerda e até reconhecemos nosso erro e depusemos o primeiro deles. Mas o que aconteceu com o Brasil desde então? Não falo de índices de desenvolvimento ou inflação ou poder de compra. Isso pra mim são números, e já falei aqui que os números tendem a maquiar as pessoas reais por trás deles.

    Falo de consciência política. O que virou de nossos partidos? Quando o debate deveria ser ideológico e programático visando sempre o bem-estar da população, estes fazem o jogo do “senhor da guerra“: jogam dados no Olimpo visando grupos de interesse. Enquanto isso, o povão se dobra e desdobra em 4 pra sobreviver, a classe média reclama do preço do espresso e os ricos colhem os benefícios da jogatina “olímpica”.

    O que aconteceu com o PT é um nítido retrato disso. Certo dia, o partido decidiu que precisava do poder e fez de tudo pra conseguir, inclusive o que não devia. Não acredito que o objetivo inicial incluísse más intenções. Mas o jogo do poder tem dessas; é fácil se deixar levar pela tentação. Sinceramente, já conheci muita gente do partido e tenho pena da rasteira que a cúpula do PT deu nas pessoas que sempre os apoiaram.

    E depois de tudo isso, claro, vem o óbvio: o PSDB e, pior ainda, o PFL aparecem como santos salvadores, colocando-se quase no lugar do Cristo da tira do Laerte que eu já citei aqui antes. Aliás, 2006 é ano eleitoral e infelizmente esse desenho não me sai da cabeça. O presidente nacional do PFL, Jorge Bornhausen, deu uma entrevista pra Revista Veja (mistura nada suspeita, certo?). Diz o repórter que, no almoço, o cardápio incluiu, entre outros, “lula no espeto“. Com uma pessoa dessas no comando, sinceramente, alguém acredita que o PFL vai governar por quem precisa?

    Quando converso sobre isso, sempre fica a dúvida: será que ainda estamos aprendendo? Ou a merda é essa mesma e a gente que se vire? Cresci ouvindo na escola que o Brasil é um país sub-desenvolvido exportador de matéria-prima, e hoje não duvido que nossas crianças estejam aprendendo o mesmo. Também cresci ouvindo que pro governo é bom que o povo seja burro mesmo, porque povo burro aceita qualquer palavreado complicado.

    Será que tudo isso não coloca na nossa cabeça que é assim mesmo e não tem jeito? Tarefa de casa…

    + Pra pensar mais: o antropólogo Sérgio Buarque de Hollanda um dia definiu o brasileiro como o “homem cordial“. Às vezes acho que essa definição tem um lado oculto que é maligno. De tão cordial, o brasileiro acaba sendo conformado. O que acham? (alguém responda, por favor)


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