NA RUA
por paulo fehlauer


    O que eh jornalismo mesmo?

    October 10th, 2005  |  Publicado em Uncategorized

    Mesmo estando longe, e ate por causa disso, irrita muito ver o estado a que chegou o jornalismo do nosso pais. Nao que o americano seja muito melhor, e a cobertura da Guerra do Iraque ja…

    Mesmo estando longe, e ate por causa disso, irrita muito ver o estado a que chegou o jornalismo do nosso pais. Nao que o americano seja muito melhor, e a cobertura da Guerra do Iraque ja demonstrou isso, mas consigo ver que chegamos a um ponto decisivo na avaliacao da midia brasileira. Pelo jeito, alem de decidir se proibimos a venda de armas ou nao, decidiremos tambem o que eh jornalismo serio e o que nao eh.

    Veja, 05/10/2005

    Referendo da fumaça, por Jaime Klintowitz.
    7 razões para votar “não” na consulta que pretende desarmar a população e fortalecer o contrabando de armas e o arsenal dos bandidos

    VEJA alinha sete razões pelas quais julga correto votar NÃO no referendo sobre o comércio de armas de fogo convocado para o próximo dia 23. O voto no referendo é obrigatório, como nas eleições. (…)

    A pergunta que será feita no referendo das armas é um disparate. Ela ilude o eleitor. É uma trapaça, pois, mesmo que o SIM vença por larga margem, “o comércio de armas de fogo e munição” no Brasil vai continuar sendo exercido com todo o ímpeto pelo contrabando em nossas porosas fronteiras e pelos eficientes agentes do mercado negro – alimentado em grande parte pelas próprias autoridades policiais encarregadas de desbaratá-lo.

    E a melhor: “O desarmamento da populacao eh historicamente um dos pilares do totalitarismo. Hitler, Stalin, Mussolini, Fidel Castro e Mao Tse-Tung estao entre os que proibiram o povo de possuir armas.”

    Perai, tudo bem que a tal da imparcialidade no jornalismo eh aquele mito que voce aprende que nao existe no primeiro dia de aula na faculdade, mas voce tambem aprende que ela deve ser nao necessariamente um fato, mas uma bussola para o jornalista. Mesmo esquecendo as aulas de jornalismo, com0 esperar que a sociedade vote conscientemente dando a ela um unic0 lado da questao? E mais… a revista deu a CERTEZA de que o MST apoia o desarmamento porque ele o beneficia, ao desarmar os fazendeiros e assim facilitar as invasoes.

    Opiniao do MST: “O MST é contra a venda de armas no Brasil e se soma a todas as entidades progressistas da nossa sociedade para impedir legalmente esse processo de violência social. A cada ano, as vidas de 40 mil brasileiros e brasileiras são tiradas, em sua imensa maioria, jovens, pobres, negros e mulatos, que vivem nas periferias das cidades.
    Para o Movimento Sem Terra, o desarmamento é uma necessidade civilizatória de nossa sociedade.”

    Opiniao da Uniao Democratica Ruralista: “Quando todas as armas forem de propriedade do governo, este decidirá de quem são as outras propriedades.”

    Ou seja, preparemo-nos para o comunismo tupiniquim!

    IstoE, 12/10/2005

    Eleitores brasileiros vão participar da maior consulta popular eletrônica do mundo. Para ajudá-lo no referendo das armas, ISTOÉ traz sete razões para votar SIM e outras sete para você votar NÃO

    Cento e vinte e dois milhões de eleitores brasileiros vão participar, dentro de duas semanas, da maior consulta popular eletrônica do mundo: o referendo que vai decidir se o comércio de armas de fogo e munições deve ser proibido no Brasil. (…)

    Nas páginas a seguir, IstoÉ apresenta sete razões para se optar pelo sim – ou seja, pela proibição – e mais sete para se optar pelo não – ou seja, pela manutenção da venda de armas e munições. Não são razões comuns, mas sustentadas pelo testemunho de 14 pessoas que tiveram suas vidas radicalmente alteradas quando um gatilho foi acionado. São histórias quase sempre dramáticas que emolduram posições surpreendentes, aparentemente contraditórias, mas sempre elucidativas. Que certamente vão contribuir com sua escolha. Apenas contribuir, porque a decisão é sua, apenas sua.

    Levando-se em consideracao que a IstoE publicou a materia uma semana depois da Veja, pode-se ate pensar que foi uma resposta “boazinha” pra conquistar os leitores que abandonaram definitivamente a Veja. Mas, sem levarmos em conta picuinhas editoriais, IstoE seguiu a risca, e matematicamente, a Lei da Imparcialidade. OK.

    Trip, ed. 137, 10/2005
    “Seremos mais felizes conforme possamos nos sentir seguros, acolhidos e protegidos na familia, na comunidade e na sociedade em que vivemos”

    A afirmação acima, publicada na edição passada de Trip numa grande matéria sobre a felicidade no mundo contemporâneo, parece óbvia. E é. Como quase tudo o que sabemos ser melhor para nós e nossas vidas, mas que se torna incrivelmente complexa na hora de transformar a teoria em prática. Assim é a questão sobre o direito do uso de armas num país que, pasmem, acaba de ser apontado pela Unesco, em junho deste ano, o número um no ranking de homicídios por arma de fogo em números absolutos (mais de 300 mil pessoas em dez anos). E a esmagadora maioria dessas mortes não é provocada por armas ilegais de grande calibre, como argumenta os opositores do desarmamento. Mais de 90% das armas apreendidas em crimes em nosso país são de calibre permitido e entraram na sociedade legalmente. E as maiores vítimas dessa tragédia cotidiana são pessoas de até 25 anos. Os jovens, aqui, são mortos por balas numa proporção três vezes maior do que no resto da população. (…)

    Mas, se você ainda não decidiu no que vai votar dia 23 do mês que vem, sugerimos que encare de frente estas 16 páginas para só então tomar um partido. Ao final, verá que existe apenas uma certeza nessa história toda: a sua conclusão sobre o desarmamento vai mudar este país. Para melhor ou para pior.

    Ok. Todo mundo sabe que a Trip eh a favor do desarmamento, mas eles foram atras do “outro lado” - um pouco cliche, eh claro (menino da favela que apoia o desarmamento e menina de classe alta, filha de atirador, que eh contra). Mas no final, como sempre, a revista mantem o ponto de vista sem ser panfletaria, buscando compreender os diferentes aspectos de uma questao tao complicada.

    Acho que ja eh suficiente pra ter uma ideia. Nao sei como anda a televisao, e nem tenho como saber, mas nao duvido que o sr. Boris Casoy esteja lancando o verbo por ai, enquanto a Globo mantem sua aparencia clean, sem opinar mas (pelo menos) defendendo o desarmamento no intervalo.

    Mais:
    + Revista Epoca, 10/10/2005, “10 mitos sobre as armas”;
    + Observatorio da Imprensa, “Veja e o Referento”;
    + Folha de S. Paulo 09/10/2005, “Editorial: Pelo Sim no Referendo”;
    + Folha Online, “Especial Desarmamento”.


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