Domingo no parque (ou uma história cheia de clichês)
April 3rd, 2005 | Publicado em Uncategorized

Hoje fui correr no Parque do… Hoje fui correr no Parque do Ibirapuera… Não, esse blog não virou um registro dos meus programas de índio diários. Mas, levando em consideração a relação intrínseca entre o exercício do olhar que faço aqui e o meu cotidiano… hoje fui correr no Parque do Ibirapuera e, enquanto dava a volta no parque (alguém sabe quantos km tem essa trilha?), observava toda a paleta de cores e estilos presente. A conclusão de toda essa observação foi: o Ibirapuera é o suspiro de São Paulo. Sabe aquele respirar fundo? Então. Ok, chavão, né? Dêem-me a chance de desenvolver. Já vem desde a Grécia Antiga a idéia da praça como espaço de reunião. A ágora, na época, tinha um papel ainda mais nobre: espaço de decisão pública. Voltando ao nosso tempo - no qual, é bom lembrar, as decisões se dão em lugares bem mais obscuros. Muita gente já estudou e pesquisou a função social da praça, do parque. Cheguei até a googlear para saber se o Ibira já foi alvo de estudos nessa área (não achei). A questão é: São Paulo respira no Ibirapuera (por favor, ignore o quesito qualidade do ar). Momento 1: uma família de 6 pessoas - pai, mãe e escadinha de filhos - abre um parênteses de um dia na semana para fazer um piquenique no parque. Levemos em consideração o fato de essa família provavelmente ter vindo de muito longe num corcel velho ou até mesmo todos dentro de um ônibus. E desconsideremos o fato de que seria obrigação do Estado dar condições de lazer mais próximas às casas de tais pessoas. Ali o parênteses está aberto e nada mais importa até a segunda-feira. Momento 2: um casal gay escolhe uma das milhares de árvores (no caso, a mais escondida possível) para um parênteses íntimo que a sociedade reprime no dia-a-dia. Auto-explicativo. Momento 3: um casal de velhinhos prolonga o parênteses da semana inteira, agora com uma paisagem muito mais interessante que a televisão (no caso, o chafariz). Os momentos são infinitos, a maioria clichês e cartões postais (e incluem até um cara com uma cobra no pescoço!), mas o ponto está na palavra que usei para interligá-los: parênteses - que leva a suspiro e a respirar fundo, que é tudo o que os paulistanos menos fazem durante a semana. Já comentei em tempos longínquos o papel da praia no Rio de Janeiro, por exemplo. E, cariocas, nós não temos mesmo o que falar: praia é praia e o Ibirapuera é praia de paulista mesmo, fazer o quê? Eis que chegamos à nossa conclusão didática e óbvia, como avisado: São Paulo seria um caos ainda maior não fosse o Ibirapuera (se é que isso é possível). Nenhuma novidade, né? Mas aqui o problema não é meu, é do homem pós-moderno, que, na sua aldeia global, vive sob uma avalanche de informações que o angustia mais e mais a cada dia. Nesse caso, melhor abrir um parênteses e respirar. + Parque do Ibirapuera;

+ Parques de São Paulo;
+ Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo (que tal reclamar da falta de opções de lazer na sua região?);







