NA RUA
paulo fehlauer, na terceira pessoa do plural.


    Crônica de uma catástrofe ambiental – Making of 2

    March 27th, 2009  |  Publicado em A Trabalho  |  1 Comentário

    Crônica de uma Catástrofe Ambiental


    Inspirado pelo making of da reportagem multimídia “Crônica de uma catástrofe ambiental” feito pelo André Deak, resolvi abrir o baú e complementá-lo com as minhas percepções. Já assumo que muita coisa pode se repetir por aqui.

    Um dos aspectos que mais me empolga na web, e que já citei no post anterior, é a disponibilidade de ferramentas gratuitas para desenvolver praticamente qualquer ideia ou formato que se tenha em mente. Essa ‘mixagem’ de formatos e ligações foi o que norteou a montagem do site da reportagem que fizemos para a Revista Fórum.

    PRÉ-PRODUÇÃO

    Antes de irmos a campo, fizemos um breve esboço do que seria o site, quais conteúdos e formatos ele teria, e como esses conteúdos seriam arranjados. Pensamos inicialmente em uma divisão por formato – foto, vídeo, áudio, tudo separado. Percebam que isso está presente no site – há galerias de foto e vídeo, por exemplo, mas elas são itens secundários. A organização temática nos pareceu muito mais interessante, resultando em uma narrativa coerente, apesar da extensão e fragmentação do conteúdo.

    Todo esse planejamento inicial foi essencial para o trabalho de campo. Havíamos definido que a cada personagem corresponderia um “post”, e isso implicou produzir fotos, áudio e vídeo para cada um dos envolvidos, tudo de forma complementar. Além disso, julgamos que seria interessante produzir um vídeo principal, que contasse a história inteira de forma resumida. Essa opção teve dois objetivos: primeiro, criar camadas complementares de informação. Ou seja, quem assistir a este vídeo terá um panorama geral da história e dos seus envolvidos, e pode optar ou não pelo aprofundamento trazido pelo site. O segundo objetivo foi o de distribuir o vídeo em diferentes veículos – seja no YouTube ou na televisão (a TV Brasil deve transmitir o trabalho em breve), e assim divulgar mais amplamente o trabalho.

    PÓS-PRODUÇÃO

    Coletado todo o material (essa etapa está bem descrita pelo Deak em seu blog), chegou a hora de juntar e relacionar tudo. Tínhamos sempre em mente, como referência, o trabalho Condition: Critical, produzido pela MediaStorm para a organização Médicos Sem Fronteiras (até usamos a mesma nuvem de tags animada). O primeiro passo foi buscar na rede um tema de WordPress (gratuito, importante ressaltar) que pudesse ser adaptado às nossas necessidades sem grandes dificuldades. Depois de fuçar muito, encontrei o Magasin Dos, que pareceu interessante pela sua estrutura – com um post principal no topo e pequenos retângulos para cada post seguinte.

    Escolhido o tema, começou o processo de customização. Desde o início, pensamos neste trabalho como uma releitura do clássico formato de grande reportagem. Bolamos, assim, depois de muita discussão, uma cara de revista para o site: um “abre” introdutório com título e foto grandes, linha fina e um vídeo curto que serviria de teaser. Entrando no site propriamente dito, temos o início da narrativa principal (o mesmo texto que foi publicado na revista impressa, fragmentado em posts e adicionado do conteúdo multimídia), o vídeo principal introdutório, e a abertura para os vários caminhos possíveis – história, personagens, formatos, tags… a partir daí, é com o leitor.

    Depois da edição dos posts, só restava incluir os conteúdos multimídia e relacionar todas as peças com links e tags. Um detalhe técnico (talvez em grego para leigos) mas interessante para quem gosta do WordPress é que, dentro dos posts, todos os vídeos, fotos e o rodapé “Mais” são chamados via “custom fields“, com posicionamento e estilos definido em CSS, o que permite a padronização do layout e a flexibilização da edição de texto (quem não entender, pergunte, por favor).

    OPEN SOURCE

    Seguindo a proposta de disponibilização livre do conteúdo, cada vídeo de personagem foi editado minimamente, com poucos cortes e legendas intercaladas, que não obstruem o conteúdo gravado, permitindo assim a livre reedição. Nos e-mails que enviei para divulgar o trabalho, assumi que a reportagem “se aproxima” do conceito de Open Source, ou Código Aberto. É impossível ser 100% transparente, e é óbvio que fizemos escolhas nesse processo (excluímos duas entrevistas que julgamos desnecessárias, convertemos os vídeos para “caberem” na web etc.). Para ser 100% open source, talvez tivéssemos até que publicar todos os links por onde navegamos durante a pesquisa. O trabalho seria imenso (destaque para o papo com Rafael Evangelista nos comentários do blog do Deak). Como o conceito é novo, damo-nos o privilégio da dúvida.

    O JORNALISTA MULTIMÍDIA

    É interessante pensar o que este trabalho representa para o jornalismo e para o trabalho do jornalista. Para realizar a reportagem, foram necessários apenas dois repórteres, mas ambos com interesses e habilidades muito específicos. Em um contexto ideal, profissionalizado, talvez fosse mais fácil, rápido e eficiente ter uma equipe maior dedicada à produção multimídia. Mas quem disse que precisa ser complexo?

    A habilidade se traduz, em grande parte, em técnica. Web-design, programação, gravação e edição de áudio e vídeo, edição de imagens etc. Para isso, basta dominar ferramentas, e para ferramentas não há melhor professor do que a própria rede. Antes de tudo isso vem, no entanto, a disposição de pensar e fazer o jornalismo de forma mais fluida, menos estanque; de conhecer e buscar novas possibilidades, observar o mundo e a informação com olhos e mente abertos, sem se prender à forma. As opções estão no ar, na rede. A internet é o novo terreno da experimentação. Em resumo, é questão de vontade, talento, interesse, olhar (e nenhuma modéstia).

    EXTRA: Plugins utilizados

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