Por um novo jornalismo e um novo mundo
November 2nd, 2008 | Publicado em Jornalismo | 1 Comentário
isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além
Paulo Leminski
O texto acima, do xará Leminski, foi citado dia desses pelo amigo André Deak durante o planejamento do projeto publico.org.br, do qual tenho a honra de fazer parte, e desde então virou um mote.
O primeiro “filho” desse coletivo acaba de mostrar a cara. Inscrevemos o publico no News Challenge, da americana Knight Foundation. Anualmente, o News Challenge financia projetos do mundo todo que envolvam tecnologia, inovação e informação com foco na comunidade.
A explicação do que propomos com o PUBLICO vai na seqüência do post, mas, em resumo, trata-se de uma plataforma de produção e distribuição colaborativa de conteúdo, voltada para os problemas da comunidade e associada a ferramentas de valoração e recompensa baseadas nos princípios da Economia Solidária. Complicado? Leia a descrição em seguida, ou pergunte.
Esse post é um pedido de ajuda. Todos os projetos inscritos no News Challenge estão listados no site do prêmio, com ferramentas de comentário e avaliação. O financiamento não é baseado em popularidade, mas visibilidade sempre ajuda. Portanto, se interessar, peço que cliquem no link abaixo. Se interessar mais ainda, cadastrem-se e votem, comentem.
Clique aqui para ver o projeto.
Acreditamos muito nesse projeto e na possibilidade de um jornalismo verdadeiramente cidadão, comprometido e, por que não, lúdico. Por isso o pedido.
Leia a descrição detalhada do projeto apresentado ao News Challenge.
Descreva o seu projeto:
Publico.org é uma experiência jornalística de protagonismo jovem na periferia de São Paulo.
O projeto consiste em uma plataforma de publicação de conteúdos distribuída que vincula o processo do newsmaking aos princípios da economia solidária, constituindo-se como uma rede social de produção de informação de interesse público articulando estudantes, profissionais, blogueiros e ativistas da sociedade civil organizada.
O objetivo principal é construir, por meio da participação dos integrantes da rede social, uma abordagem dos principais problemas da periferia de São Paulo a partir da visão de seus cidadãos, com foco explícito nas dinâmicas que tocam os indivíduos no cotidiano.
O processo de produção da notícia do Publico.org considera dois aspectos como primordiais: a) o acesso e uso de uma plataforma tecnológica de publicação de conteúdos; b) a quantificação e qualificação de bens informacionais para buscar formas diferenciadas de valoração e recompensa dos processos produtivos.
Editorialmente, o Publico.org buscará se concentrar em assuntos concretos e objetivos, que geram mobilização e necessitam de respostas práticas dos poderes públicos.
Para realizar seus objetivos, o Publico.org pretende agir em comunidades geográficas excluídas do mapa informacional brasileiro por meio de estímulos à produção de informação nessas comunidades (a partir da associação com ONGs e grupos sociais que já executam trabalhos de conscientização midiática nesses locais), mas também oferecendo um conjunto de informações (porque produzidas por esses atores) que tratem dos temas a partir da perspectiva desses cidadãos que no início do século 21 ainda vivem em situações de pobreza incompatíveis com o nível de desenvolvimento planetário.
Como o seu projeto vai melhorar a forma como notícias e informações são levadas às comunidades?
Centro financeiro do Brasil, São Paulo é um exemplo da concentração de propriedade na mídia brasileira. As regiões periféricas nunca tiveram veículos de grande inserção, muito embora tenham um histórico de trabalhos alternativos voltados para as questões da comunidade. Neste momento, dois processos precisam ser levados em consideração: a constituição de uma rede de rádios comunitárias, com outorga do Ministério das Comunicações, e a conformação de uma rede de lan-houses (centros pagos de acesso coletivo à internet) e projetos de inclusão digital, que são redações jornalísticas em potencial.
O Publico.org pretende promover a publicação de conteúdos pelos moradores da periferia paulistana, bem como construir uma mecânica replicável e sustentável para a produção de informação em pequenos grupos e comunidades articuladas e descentralizadas que venha a inverter a lógica atual da produção jornalística centrada nas grandes empresas de comunicação.
Para atingir o público excluído digitalmente, cujo acesso à rede mundial de computadores é inexistente ou restrito, o projeto vai estimular a distribuição dos conteúdos por meios de outras plataformas, como rádios comunitárias, jornais murais, rádios poste, entre outros sistemas alternativos, aproveitando a malha de informação já existente.
Por que a sua idéia é inovadora?
O projeto Publico.org tem como objetivo tecnológico construir um software de publicação de informação colaborativa, a partir de experiências livres já existentes, cujo diferencial será o módulo Moitará – troca de produtos realizada no Kuarup, festa indígena em homenagem aos mortos que ocorre no Parque do Xingu, na Amazônia – que associa ao processo de newsmaking os princípios da economia solidária. Isto é, que permite a materialização online de formas alternativas de valoração e recompensa dos processos produtivos que não apenas o monetário.
Esse modelo, que funciona com razoável sucesso na produção de bens tangíveis torna-se mais complexo quando o trazemos para a cena dos bens imateriais, sobretudo numa conjuntura de fim da escassez artificial. A proposta é construir uma plataforma inteligente que permita quantificar e qualificar esses bens através de mecanismos como mediação social, permitindo a identificação e atribuição de valor aos mesmos pela própria comunidade.
O Moitará funciona como um “Quantificador da Dádiva” e será desenvolvido como parte de CMS de publicação de notícias para pequenas comunidades, mas também como uma interface modular e uma API pública que permita sua inclusão em outros sistemas de produção e distribuição de notícias. O sistema também permitirá a construção de uma rede de atores associados que irão desempenhar diferentes papéis na dinâmica da troca de bens e serviços entre os membros da rede.
Que experiência você ou a sua organização têm para desenvolver o projeto com sucesso?
Nossa organização é composta por profissionais de comunicação e mídias sociais que estão à frente de várias experiências de sucesso na mídia eletrônica brasileira. A força desse grupo reside na multiplicidade de expertises e capacidade de realização profissional já comprovadas em suas trajetórias pessoais.
O grupo:
- Rodrigo Savazoni (Editor de Novos Produtos na área de Conteúdo Digital de O Estado de S. Paulo e ex-Editor Chefe da agência pública de notícias Agência Brasil);
- André Deak (Editor Multimídia da Agência Brasil e Coordenador de Comunicação da CPFL Cultura), Pedro Markun (Editor do Jornal de Debates e Consultor em Mídias Sociais);
- Paulo Fehlauer (Criador do Coletivo Multimídia Garapa.org, que realiza trabalhos para a Folha de S. Paulo e MTV);
- Ceila Santos (Coordenadora do NewsCamp e criadora da rede social Desabafo de Mãe);
- Carla Schwingel (PhD in Cyberjournalism – Federal University of the Bahia, especialista em desenvolvimento de plataformas web para a produção de jornalismo);
- Francesco Cardi (experiência internacional em administração, consultoria e desenvolvimento).







