Infelizmente, meu voto é NULO.
October 25th, 2008 | Publicado em Comentário | 4 Comentários
Não faço campanha pelo voto nulo. Sou daqueles que defendem o voto como exercício de cidadania, ainda que também defenda a não-obrigatoriedade desse exercício.
Ressinto-me de anular o meu voto porque sei o efeito prático que isso causará. Kassab, o títere do conservadorismo paulista, deve levar essa, e terá assim a chance de prolongar o domínio da elite reacionária por mais 8 4 anos.
Evito imaginar o que será de São Paulo em 2016 2012, mas consigo antever algumas coisas:
Veremos mais praças e ruas sendo “higienizadas”:
“Francimar, esfarrapado mas altivo, camelô de bugigangas e discos piratas na 7 de Abril, é uma das milhares de evidências demasiadamente humanas de que o urbanismo à prova de miseráveis da gestão Kassab (DEM) não tem conseguido limpar os “feios, sujos e malvados” das passagens públicas como desejava.”
Xico Sá, nos idos de 2007.
Mais restrições à liberdade de pensamento:
A Prefeitura de São Paulo vai aumentar o controle sobre a internet dentro da rede municipal, inclusive em telecentros. Decreto do prefeito Gilberto Kassab (DEM), publicado em 15 de agosto, obriga os órgãos da administração direta e indireta a impedir o “acesso a conteúdos inadequados”.
Folha Online, 20/09/2008.
e de expressão:
Entra em vigor nesta sexta-feira o decreto do prefeito Gilberto Kassab (DEM) que proíbe os feirantes de divulgarem a sua mercadoria no grito ou com aparelhos de som.
Folha Online, 06/04/2007 (depois de muita discussão, a medida foi revogada).
Por tudo isso, essa é uma decisão que me custa. Infelizmente, mesmo que prefira um governo petista a um pefelista (ninguém me convence que o PFL virou Democrata), hesito em dar meu voto de confiança a Marta e trupe.
Mais um pensamento que me ajudou nessa decisão:
O proselitismo do “É casado? Tem filhos?” não é um episódio menor. Ele denota que, do ponto de vista desses estrategistas, qualquer cartada pode valer para derrotar o inimigo – inimigo mesmo, não adversário. Nesse sentido, é quase uma confissão. Mais que a privacidade de Gilberto Kassab, expõe uma tibieza de princípios na candidatura de Marta Suplicy. Que é ainda mais preocupante quando se leva em conta o destaque que as bandeiras comportamentais sempre tiveram na trajetória da candidata, cuja história foi abertamente traída pelas duas perguntas fatídicas.
Eugênio Bucci, no Estadão (23/10/2008).
Reduzir essa decisão às fatídicas perguntas feitas por Marta seria cair no golpe da mídia, que rola de prazer com o fait-divers, e não é somente a isso que me prendo. A falta de ética e os ataques pessoais têm sido a essência de ambas as campanhas. Portanto, nenhum dos dois merece o meu voto. É pena que não seremos tantos a ponto de causar algum efeito real; restará a luta diária contra os abusos da corja.
CORREÇÃO: Kassab foi eleito vice-prefeito de São Paulo; não pode, portanto, ser reeleito em 2012.
P.S.: Leia a entrevista do sociólogo Francisco de Oliveira sobre o PT e as eleições, concedida à Folha de S. Paulo.







