Primeiro dia de aula: “Por que jornalismo?”
October 8th, 2008 | Publicado em A Trabalho

O "pessoal da imprensa" aguarda a palavra final do candidato Geraldo Alckmin após a derrota nas eleições de 2008.
Domingo de eleições, 5 de outubro de 2008.
18h: pautado pelo jornal, com a apuração recém-iniciada, chego ao portão da casa do candidato Geraldo Alckmin (PSDB), no Morumbi, onde um pequeno grupo de repórteres aguarda um aceno do já provável derrotado postulante. Não se sabe se Alckmin falará ali mesmo ou no local reservado pelo seu comitê, na Liberdade.
19h30: alguém sugere pizza.
20h30: com a apuração paralisada, o antes pequeno grupo de repórteres já soma, numa conta assumidamente imprecisa, cerca de 50 pessoas. Nada de Alckmin. As crianças do prédio se divertem às custas dos jornalistas, com direito a um alarme falso que atiça os ânimos.
21h05: o presidente do diretório municipal do PSDB, José Henrique Reis Lobo, vem ao portão para conversar com os jornalistas. Repórteres de rádio e texto tomam a frente, para cólera generalizada do “pessoal da imagem” (fotógrafos e cinegrafistas), que tem o campo de visão prejudicado.
21h30: com os ânimos acalmados e a apuração já caminhando para o final, os profissionais da imprensa seguem postados em frente ao portão, agora minimamente organizados. Crianças seguem se divertindo, brincando, entre outras coisas, de abaixar as calças dos amiguinhos em frente às câmeras.
22h: com a apuração já quase encerrada, vem a notícia: Alckmin dará uma coletiva ali mesmo no salão de festas do seu prédio. Para delírio do “pessoal da imagem”, somos nós os primeiros a entrar.
22h16: com a derrota já selada pelas urnas, Alckmin chega para falar com os repórteres e é aplaudido pelos confrades.
22h20: Alckmin termina o discurso.
22h25: uma das crianças pergunta: “Mas já? Vocês esperaram todo esse tempo pra isso?” E, diante da minha concordância, “pelo menos vocês ganham bem, né?”
Por essas e outras, tem gente decretando o ‘fim do jornalismo’. Se for disso aí, é felizmente.
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