NA RUA
paulo fehlauer, na terceira pessoa do plural.


    Eleições, inteligência, Orwell e ELES

    August 14th, 2008  |  Publicado em Comentário  |  2 Comentários

    Moradora de rua na estação São Bento do Metrô.

    Moradora de rua na estação São Bento do Metrô.



    Se fôssemos um país minimamente sério, talvez sequer assistíssemos aos Jogos Olímpicos. Ano de eleição não é para brincadeira. Enquanto nos inebriamos defronte a TV e do seu espetáculo de cores, a corja caquética deita e rola. Não sou adepto de teorias conspiratórias, mas será à toa que nossas eleições sempre coincidam com um grande evento esportivo? Sequer temos motivos reais para torcer, já que nem no esporte somos sérios. Até Cuba, com 1,3% do nosso território, nos dá de goleada.

    O Brasil é o país perfeito para a malandragem – gigante em território, recursos naturais abundantes, um povo, povão, alienado e subjugado, que hoje se delicia com as facilidades do crédito, rolando uma dívida que pode lhe custar a comida de amanhã, e uma classe média que fica puta quando lhe tiram o privilégio de ir de carro para a balada.

    Já nos tomaram muitos direitos, e vão, silenciosa e sorrateiramente, nos tomando mais alguns; e a internet parece ser o novo terreno dessa exploração. Alguém – esse alguém genérico e amedrontador, onipresente e quase orwelliano – tem muito medo do que a rede pode representar. Se não o tivesse, o Álvaro, por exemplo, não precisaria publicar receitas de bolo em seu blog (não parece déjà vu?). Nem mesmo o Reinaldo, pessoa cujas opiniões eu praticamente desprezo, pode hoje se expressar livremente.

    Talvez pudéssemos, se esse medo não fosse tamanho, mostrar a ELES como se faz um debate sério e  democrático de verdade, que não passasse necessariamente pelo filtro plastificado de Bonners e Casoys. Talvez um candidato pudesse ser avaliado mais pela inteligência do que pelo poder econômico – só não entende isso quem não entende nada de internet. O problema é que acho que no fundo ELES entendem, pelo menos superficialmente, e o fazem justamente por compreenderem o perigo que isso representa. A palavra liberdade fica linda nos livros de História.

    Se nos levássemos minimamente, só um pouquinho a sério, já estaríamos esbravejando. Até estamos, nos organizamos, mas é pouco comparado ao poder dELES. Contra ELES, só temos a nossa inteligência. Malditos sejam o futebol, o carnaval, a cachaça e todos os clichês que nos embriagam. Meu time não vai nem se classificar mesmo…

    P.S.: Um site americano que vale a visita, e que dificilmente teríamos por aqui: PolitiFact, basicamente um medidor de veracidade de campanhas. Veja o vídeo:

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