NA RUA
paulo fehlauer, na terceira pessoa do plural.


    Isso é Jornalismo?

    April 10th, 2008  |  Publicado em Comentário

    IstoÉ

    Copio aqui texto que publiquei no site da Garapa – Agência Multimídia, projeto coletivo meu e dos fotógrafos Leo Caobelli e Rodrigo Marcondes:

    Foto alterada digitalmente, publicada na revista IstoÉ.

    Como fotojornalistas, e como cidadãos, sentimo-nos na obrigação de declarar nosso repúdio à recente publicação, pela Revista IstoÉ, de uma foto alterada digitalmente, como os caros leitores podem verificar pelas cópias de tela que acompanham esse texto.

    A foto original foi feita pelo fotógrafo Cristiano Machado, publicada e comercializada pela Folha de S. Paulo. Como podem perceber, a inscrição “Fora Serra” foi apagada na versão da IstoÉ.
    Fotografia original publicada pela Folha de S. Paulo

    Em texto publicado na Folha de S. Paulo de hoje, 10 de abril, o editor-executivo da agência IstoÉ confirmou a alteração e pediu desculpas:

    Houve realmente manipulação por photoshop [programa de computador] da imagem dos sem-terra, com intenção absolutamente estética.” Ele afirmou, por telefone, que “não houve nenhuma ordem [superior], nenhuma orientação política, nenhum dolo. Houve um mal-entendido”.

    O debate sobre a manipulação de imagens no jornalismo não é novo, mas não lembramos de ninguém, em nenhum fórum, que tenha sinceramente defendido a prática. A alteração feita pela IstoÉ foi, além de claramente ideológica (apesar de a revista negar), leviana, e desrespeitosa tanto com o fotojornalista autor da imagem quanto com o leitor da revista.

    Acreditamos que o trabalho jornalístico, como todos os outros, deve ser feito com honestidade e transparência, independente de posições políticas/editoriais. No momento da leitura, trava-se um pacto de confiança entre leitor e veículo, pacto esse que percebemos ter sido quebrado pela revista.

    Felizmente, temos a internet como um espaço aberto de debates no qual tais atitudes não passam despercebidas. Felizmente, podemos contar com o público para inibir ações inaceitáveis como essa.

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