NA RUA
paulo fehlauer, na terceira pessoa do plural.


    Boletim Na Rua – no. 7

    December 4th, 2007  |  Publicado em Boletim  |  1 Comentário

    Casa de Criadores

    Com um dia de atraso, por razões profissionais, segue a sétima edição do Boletim Na Rua, um pouco mais curta esta semana, também por motivos profissionais.

    1. MULTIMÍDIA I: Essa já rolou por alguns blogs, mas continua válida. O New York Times publicou, no dia 25 de Novembro, uma mega-reportagem sobre ex-presos inocentados por meio de testes de DNA. A equipe do jornal entrevistou 137 das mais de 200 pessoas libertadas por este motivo no país desde 1989, procurando entender, basicamente, como eles lidam com a vida depois do cárcere. O resultado final inclui, além da reportagem em texto, publicada também no jornal impresso, dois especiais para a internet – um slideshow, que dá rosto e voz a Jeffrey Mark Deskovic, um dos personagens, e um mini-banco de dados, com uma ficha básica de cada um dos entrevistados e alguns trechos em áudio. Sobre o mesmo tema, confira também o trabalho “The Innocents“, da fotógrafa americana Taryn Simon.
    2. MULTIMÍDIA II: MediaStorm mais uma vez, agora em uma parceria que promete. Já faz um tempo que acompanho os projetos patrocinados pelo Open Society Institute (OSI), do multi-milionário (ou seria bilionário?) americano George Soros. Entre diversas ações, o projeto “Moving Walls” seleciona e banca anualmente trabalhos fotográficos relacionados a direitos humanos. A empreitada conjunta OSI-MediaStorm resultou na peça “Zimbabwe – The Fight to Free a Country” (Zimbábue – A luta para libertar um país), parte do projeto “Eyes on Zimbabwe” (Olhos no Zimbábue). Fotos, vídeos, depoimentos, editados em uma peça como as outras que já indiquei por aqui. Como disse, a parceria promete.
    3. POLÍTICA 2.0: Lembra as eleições americanas de 1960, quando o primeiro debate televisionado da história levou John Kennedy à vitória? A partir dali, a TV passou a ter papel essencial na democracia americana. Penso que 2008 será o ano da internet. Não acho que o efeito será comparável ao de quase 5 décadas atrás, mas penso que a rede solidificará a sua influência no processo. Já citei anteriormente o Scoop’08, site colaborativo já em funcionamento. Outra “vedete” do ano são os YouTube Debates, feitos em parceria com a rede CNN. Usuários do YouTube publicam suas perguntas em vídeo, que são então transmitidas aos candidatos durante os debates promovidos pela rede de televisão. As respostas também são publicadas no YouTube. Para saber mais da influência da web nas eleições americanas do próximo ano, e até para pensar no que funcionaria por aqui, acompanhe o techPresident, um blog que fala exatamente disso, e que ganhou o BOBs este ano.
    4. JORNALISMO: Por mais que se critique o jornalismo americano, eles se ligaram em um detalhe que parece ter passado batido por aqui: a conexão com o leitor. Todos os bons jornais que conheci por lá procuram aproximar o conteúdo do leitor, humanizar a notícia. Enquanto isso, nosso jornalismo parece Boletim de Ocorrência, uma sucessão de dados e depoimentos que confirmam a manchete, ou pior, somos viciados em press release. Vou citar alguns exemplos, e gostaria que pensassem se isso é sequer imaginável por aqui:
      1. The Boy In The Moon (O menino na Lua), do Globe And Mail (canadense, mas vale a citação). O repórter conta em áudio, fotos e texto a vida do próprio filho, vítima de uma doença rara.
      2. Lovelle Svart, repórter do Oregonian, que contou em vídeo a própria luta contra o câncer. Talvez um exemplo extremo, mas nada mais humano. O último texto é dos editores, anunciando a sua morte.
      3. Heroes of HIV (Heróis do HIV), do Palm Beach Post, sobre as pessoas que atuam no combate ao HIV na região do Caribe (relacionando especificamente Flórida, Haiti e República Dominicana).

      Apenas 3 exemplos que mostram um pouco do que quero dizer. Claro que o jornalismo americano não é só pessoas sofredoras e/ou lutadoras, nem o país se resume a isso, mas a mera existência desse tipo de material já mostra um olhar diferente, na minha opinião, e me atrai mais do que a chuva de números e aspas que temos por aqui. No Brasil só o que interessa é a luta pelo poder, o resto é enfeite ou jabá. É o que vejo.

    Concordam? Discordam? Manifestem-se. Como havia avisado, uma edição mais curta esta semana, mas não menos interessante (suponho). Espero que a segunda-feira tenha sido boa, e boa semana a todos.

    Obrigado.

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