NA RUA
paulo fehlauer, na terceira pessoa do plural.


    O Jornalismo, O Brasil, Mino Carta e o Status Quo

    November 22nd, 2007  |  Publicado em Comentário

    Mino Carta

    Estava para publicar isso já há alguns dias. No domingo, dia 18, fui assistir à entrevista do publisher da revista Carta Capital, Mino Carta, no I Salão Nacional do Jornalista Escritor. Mino é daqueles personagens sempre polêmicos, com quem é impossível concordar ou discordar plenamente; resta escolher pontualmente o que aceitar e o que rejeitar. Das várias frases que proferiu, anotei algumas, que cito abaixo:

    “O jornalismo brasileiro é um dos piores do mundo, e um dos mais mal-escritos; deu preferência ao ibope e nivelou por baixo. Nosso jornalismo dá pena.”

    “O poder não consegue conceber um modelo diferente de sociedade, não há capacidade para mudar o status quo. A nossa mídia tenta claramente atrasar o país, mantê-lo como está, ela não quer mudança.”

     

    Tendo a duvidar de conspirações como a que ele menciona, penso que se trata mais de uma conjuntura confortável aos que se beneficiam do tal status quo. Por isso, é mais fácil manter tudo como está. Mas vale para pensar para quem você pretende dedicar a sua inspiração e a sua transpiração.

    Concordo com a primeira afirmação, no entanto. O jornalismo brasileiro é pautado pela mediocridade. Os jornais (falar de outros meios estenderia muito o texto, portanto fico apenas nos papéis de embrulhar peixe) se degladiam pelo “furo”, pela notícia exclusiva, muitas vezes sem mesmo considerar a relevância dessa informação, apenas o placar. Há mais números do que pessoas nas páginas, o texto é chato e burocrático, fotografia é mera ilustração. O único “trunfo”, o furo, perde a sua validade para a internet, mais eficiente nesse tópico. O problema é que ninguém ainda aprendeu a ganhar dinheiro com a rede, porque o usuário não quer pagar pela informação online. Ou seja, crise.

    Estamos sempre dentro de alguma transição, a História só se recorta quando é passado. Nesse processo, há sempre os que abraçam o novo, os que choram o passado, e um mundo inteiro pelo meio. Como tantos outros, jornalistas morrem de saudades do tempo em que ainda acreditavam em alguma coisa.

    Quem não tem direito a esse lamento são os novos repórteres, que não fizeram parte daquele sonho. Uma pena que estes venham de bases tão frágeis; pior do que o jornalismo praticado no Brasil, talvez apenas o ensino desse jornalismo. Honestamente, não sei o que atrai tantas pessoas à carreira, mas que sejam bem-vindos, vamos derrubar a mediocridade!

    Abraçar o novo é sempre arriscado, e o status quo vai impor seu domínio até que não haja mais volta. Mino Carta tem um blog que, segundo ele, sai direto da sua Olivetti. E você, acredita em que?

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