NA RUA
paulo fehlauer, na terceira pessoa do plural.


    Boletim Na Rua – no. 5

    November 18th, 2007  |  Publicado em Boletim  |  3 Comentários

    Gallo

    Quinta edição, quem diria?! A edição dessa semana vem um pouco menos jornalística, mas só na superfície, vocês vão entender já já. Vem também um pouco mais descontraída, tal qual a foto acima. Divirtam-se.

    1. ESPECIAL VIDEO-GAME: Confesso que minha fase gamemaníaca durou dos 10 aos 16 anos, parou no Playstation I. Mas um texto do André Deak que li recentemente me fez repensar meus pré-conceitos. Ele sugere o uso da linguagem e da interatividade do video-game no jornalismo. Exemplo: coloque o leitor (espectador? jogador?) dentro um daqueles jogos em 1a. pessoa; em vez de matar zumbis, o objetivo seria entender como funciona um campo de refugiados. Não acho que seja aplicável ao noticiário geral, mas, no fim, é bom jornalismo, principalmente porque me parece que a eficiência na compreensão da história pode ser muito maior do que em qualquer outro meio, não? Como era de se esperar, os americanos já estão viajando nisso há tempos. Seguem alguns exemplos até bem simples, mas que apontam nessa direção. Via André Deak, Tiago Dória, Haiti Innovation e outros.
      1. Aproveite que o New York Times abriu o seu conteúdo online e veja “Food Import Folly“, publicado em junho, na época só para assinantes. O objetivo do jogo é mostrar como funciona o controle de entrada de alimentos importados pelos EUA.
      2. Os diferentes órgãos da ONU têm feito experiências interessantes no mesmo sentido, menos noticiosas, e voltadas para o público infantil. A UNHCR, agência que cuida de refugiados, fez o jogo “Play Against All Odds“, sobre os desafios de alguém que busca asilo político. Do Programa das Nações Unidas para a Alimentação vem “Food Force“, um jogo completo (e pesado) sobre a distribuição de alimentos feita pela ONU. Finalmente, do Unicef, “Ayiti, The Cost of Life“, que busca representar as condições de vida em uma vila rural do Haiti.
      3. Seguindo a onda de jogos humanitários, a MTVU, canal universitário da MTV americana, lançou o “Darfur Is Dying“, que coloca o jogador na posição de um refugiado sudanês no Chade.
      4. Mais uma confissão: uma coisa que não entra na minha cabeça (ainda) é o Second Life. É aquela coisa, se uma vida já é difícil, pra que uma segunda? Mas o “brinquedo” tem potencial, é claro, e várias empresas jornalísticas já compraram seus territórios por lá. Como idéia, penso, por exemplo, em uma recriação de Jerusalém, para que as pessoas compreendam melhor o conflito, com textos e vídeos sendo mostrados em salas virtuais, vindo diretamente de empresas e blogueiros pelo mundo. Mas as empresas, como a Reuters, criam espaços no Second Life para divulgar notícias do próprio Second Life! Alguém explica?
    2. JORNALISMO 2.0 I: A cobertura das eleições americanas conta com um novo e importante ator, ou melhor, mais de 400 atores, e crescendo. É o Scoop’08, site criado por estudantes de jornalismo de todo o país, dedicados à essencial tarefa de mostrar os diversos ângulos da democracia nos EUA. Como disse, já são mais de 400 estudantes cadastrados, cobrindo todos os partidos, todos os estados, e os vários possíveis temas de interesse nacional. Pra não bagunçar, a rede conta com um grupo de “conselheiros“, em sua maioria editores de grandes meios de comunicação e professores universitários. Jornalismo político, colaborativo, independente e, na soma de tudo, penso que tende à imparcialidade. Fico pensando se conseguiríamos fazer algo semelhante no Brasil, ou se refletiríamos a mesquinha disputa política dos cartolas, ou mesmo da imprensa tradicional. Quem se interessar, 2010 vem aí, e podemos mesmo tentar algo para 2008, não? Via Ponto Media.
    3. JORNALISMO 2.0 II: “Beat“, no jargão jornalístico americano, significa, aproximadamente, um setor. Um “beat reporter” é um setorista, como chamamos por aqui. Ele cobre um tema específico, seja meio ambiente, educação, vôlei etc. Pois bem, o pessoal do IdeaLab e do PressThink propôs um desafio: recrutar 12 ou 13 jornalistas/blogueiros, cada um já acostumado a um setor. Estes, por sua vez, criariam uma rede social (um orkut temático?) em torno dos seus “beats“, pessoas (as fontes) relacionadas aos temas, que colaborariam com o repórter. Claro que essas fontes devem ter interesse geral no assunto e, de preferência, certa imparcialidade (políticos estão fora, por exemplo). O BeatBlogging já está no ar, ainda como uma pergunta: será que funciona? O projeto será testado nos próximos meses. Mais uma vez: será que algo parecido funcionaria no Brasil?
    4. AUTO-REFERÊNCIA: Não é o propósito deste boletim fazer propaganda do narua.org, mas publico essa dica porque penso ser de interesse dos assinantes. Fiz uma entrevista com o fotógrafo americano Ed Kashi, que conheci pessoalmente em julho deste ano, mas cujo trabalho já admirava há tempos. Ed é um dos pioneiros no uso de recursos multimídia para a apresentação de seu trabalho, e dá boas dicas nas suas respostas.
    5. PORTFOLIO: Mais uma vez, confesso minha inveja da estrutura educacional dos Estados Unidos. Saiu o resultado do “College Photographer of the Year 2007“, ou Fotógrafo Universitário do Ano. Como sugestão especial, os ganhadores da categoria Multimídia.

    Espero que gostem e aproveitem. Mais uma vez, para receber por e-mail, é só se cadastrar. Ah, e se alguém quiser levar adiante alguma das discussões propostas por aqui, não se esqueça de me convidar. ;)

    Ótima semana a todos!

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