Katrina, um ano
August 27th, 2006 | Publicado em Uncategorized
Um ano atrás, no final de agosto, eu me prendia à TV para acompanhar a trajetória de um dos piores desastres naturais da história dos Estados Unidos, o furacão Katrina. Pelo menos 10 canais de TV mostravam imagens e antecipavam a tragédia. E eu acompanhava, 24h por dia, o caminho devastador da tempestade, que
começou assustando de leve os já calejados moradores da Flórida, e
seguiu para o Golfo do México até bater às portas de New Orleans no dia
29.
Lembro que conversava com minha namorada sobre as previsões desastrosas
do Katrina, de como New Orleans seria praticamente riscada do mapa, e de como nossos planos de visitar a cidade – antigo sonho musical de ambos – teriam que ser adiados por alguns anos. Lembro das expressões dos moradores, que pareciam não ter muita noção do que vinha pela frente, mesmo estando nas TVs e jornais do mundo todo. Era como se estivéssemos assistindo a um daqueles filmes de catástrofe, em que sabemos o que está para acontecer antes dos personagens, e torcemos para que o mocinho salve a mulher e o filho em perigo. O problema é que o tal mocinho era na verdade o vilão.
O furacão Katrina foi o segundo maior choque que a cultura americana tomou nesse início de século, depois, é claro, dos ataques de 11 de Setembro. As comparações são inevitáveis, e a principal diferença é que, enquanto nos atentados foi fácil apontar um culpado e despejar bombas sobre ele, no caso do furacão, as bombas teriam que cair sobre o próprio umbigo.
Muito já foi falado e muitos culpados já foram apontados, e se hoje ainda resta alguma dúvida, é só prestar atenção nas cicatrizes para ver quem fez e quem não fez o seu papel nesses 365 dias. Enquanto a população se virou para reerguer a cidade, na medida do possível, o governo preferiu continuar brincando com seus tabuleiros, empurrando suas peças para todos os cantos, menos para o seu próprio.
Como sempre, um ano depois chovem textos, especiais de TV, ensaios fotográficos. O que me fez escrever isso hoje e entrar na onda foi um especial da revista do New York Times de hoje. Se souber inglês, leia; se não, as fotos são suficientes.






