Índice de Preços ao Consumidor
January 6th, 2006 | Publicado em Uncategorized
Interessante a forma como se dá a atribuição de valor no tal do capitalismo. Comecei a trabalhar num bar/restaurante pseudo-brasileiro aqui em Nova York. “Pseudo”…
Interessante a forma como se dá a atribuição de valor no tal do capitalismo. Comecei a trabalhar num bar/restaurante pseudo-brasileiro aqui em Nova York. “Pseudo” pelas razões óbvias: é quase como aquele monte de botecos que se dizem “cariocas” em São Paulo. Ou seja: é feito por paulistas (ou americanos), pra paulistas (ou americanos) e com preços paulistas (ou americanos).
Não queria ter falado em preço antes de chegar ao ponto. Logo que cheguei levei um susto – comum a todo brasileiro que aparece por lá – com os 7 dólares por uma micro-porção de bolinho de bacalhau (que aqui vira codfish balls) ou com os US$8 por uma caipirinha. É claro, 8 x 2,40 = R$19,20! Mas comece a incluir os “extras”: você está no East Village de New York, e não nas ladeiras de Santa Tereza – se bem que os preços da Lapa estão cada vez mais pra americano do que pra conterrâneo. Mais uma: onde mais você vai encontrar um bobó de camarão (ou shrimp bobo) em Nova York? Procure um restaurante sueco em São Paulo e pergunte o preço de algum prato típico. Ah, o bobó custa US$17.
Agora vamos para o outro lado. Você é americano, quer provar algo exótico, adoooora o Brazil (= futebol + mulheres quentes com bunda de fora) e ouviu falar desse new brazilian place, com samba dancers e képhriniah (caipirinha). “Oito dólares um drink? Nossa, que barato! Parece aquela vez que fui pro carnaval no Rio. Comi todas por 20 bucks.”
Taí uma coisa que eu aprendi nos primeiros dias de América: quando o dinheiro não é tão raro, ele perde valor. Ou, se for pensar mesmo, ele ganha: deixa de ser essencial, fica mais barato e aproveitável. Nada mais apropriado ao paraíso do consumo. Aqui é tão fácil e comum gastar $50 num simples e solitário balcão de bar que o cara gasta mais $20 de gorjeta, o que acaba por sustentar os vícios da pessoa do outro lado – eu, no caso. Mas este, vivendo ainda mais próximo da escassez brasileira do que da fartura americana, guarda direitinho o suado dinheiro (literal e figurado), porque tem outros objetivos. Mas isso é assunto pra outro post…






