NA RUA
paulo fehlauer, na terceira pessoa do plural.


    Pensando?

    March 13th, 2005  |  Publicado em Uncategorized

    Sabe quando você abre aquele baú empoeirado e começa a vasculhar o passado? É muito bom acordar e descobrir que, apesar das mudanças superficiais, sua essência permanece. Escrevi esse texto em um…

    Sabe quando você abre aquele baú empoeirado e começa a vasculhar o passado? É muito bom acordar e descobrir que, apesar das mudanças superficiais, sua essência permanece. Escrevi esse texto em um passado bem recente até, e fiquei feliz hoje ao encontrá-lo.

    Balanço-desabafo

    Como balanço final de um curto período de “ativismo”, eu posso dizer aqui que me decepcionei. Nesse mundo, parece fazer-se a política pela política, apenas. Poderia dizer, como até já disse, que isso tudo é culpa de uma mentalidade atrasada, anacrônica, que domina o que ainda se chama movimento estudantil, mas que, como me disseram essa semana, não é nem movimento nem estudantil.

    Poderia acusar esse movimento de viver em um tempo que já passou, de ser saudoso de uma história que só está no papel. Mas então diriam, como já disseram, que o mundo é o mesmo, que apenas as máscaras foram trocadas. Poderia também culpar, como se diz por aí, a alienação, o individualismo característico da sociedade pós-moderna. Esse mundo, então, seria outro. Mas assim não saberia o que fazer. E, no final de tudo, poderia simplesmente desistir.

    Mas, como balanço final de um curto período de “ativismo”, acho que a culpa está além de teorias, esquemas, história (com “h” maiúsculo ou não).

    Uma reflexão de fim-de-semana me disse, sem medo do clichê, que a culpa está dentro de cada um. O que está em falta é o amor. Falta uma indignação tamanha que nos impeça de viver em paz. Uma indignação acima de qualquer ideologia, sociologia, antropologia ou demagogia. Um sentimento de amor-revolta ingênuo e infantil, que não pense em Marx, Platão ou George Soros. E é essa revolta que me consome.

    Não quero a vaidade de um nome na História, nem pretendo enfeitar minha cabeça com louros efêmeros. Quero lutar no mundo em que eu vivo, com as minhas mãos e a minha cabeça. Não quero convencer, mas espalhar pulgas. Uma equação pode desenhar uma bola, mas nada a define melhor do que a emoção de chutá-la. Teorias usam o passado para limitar o futuro. O meu tempo é hoje. Se isso é uma característica do mundo pós-moderno, estou dentro e não quero fugir. Se isso é problema ou solução, prefiro deixar o tempo julgar.

    P.S.: Literalmente, um post-scriptum: é por isso que eu fotografo, é assim que quero, pela fotografia, mudar o mundo. Não estou aqui julgando ninguém, apenas a minha consciência. Parabéns a todos os que lutam por amor. “All you need is love“, galera!

    Pra não levar o mundo tão a sério…
    Semana Santa, Ouro Preto - MG, 2004. - Filme Kodak Tri-x 400
    Semana Santa, Ouro Preto – MG, 2004. – Filme Kodak Tri-x 400

    Compartilhe:

    • Print this article!
    • del.icio.us
    • Facebook
    • Google Bookmarks
    • E-mail this story to a friend!
    • FriendFeed