Da fantasia
April 5th, 2004 | Publicado em Uncategorized

Pátio de São Pedro, Recife – PE, 23.02.2004
Antes de entrar nas divagações, é recomendável abandonar nosso mundo terreno e…

Pátio de São Pedro, Recife – PE, 23.02.2004
Antes de entrar nas divagações, é recomendável abandonar nosso mundo terreno e capitalista e mergulhar na festa antropológica, no carnaval em sua essência.
“No carnaval, a comemoração é cósmica. Aqui, celebra-se o estado de ser pobre e destituído. (…) A fantasia carnavalesca revela muito mais que esconde, já que uma fantasia, representando um desejo escondido, faz uma síntese entre o fantasiado e os papéis que representa, e os que gostaria de desempenhar. (…) a fantasia opera sinteticamente, por união, somando um papel imaginário (expresso na fantasia) com os papéis reais que a pessoa fantasiada realmente desempenha no mundo quotidiano. (…) O mundo dos personagens do Carnaval é, pois, o mundo da periferia, do passado e das fronteiras da sociedade brasileira. Seu foco é o ilícito, o que está completamente fora do sistema, ou que está nos interstícios desse sistema.”
(…)
“É justamente essa combinação e essa conjunção de representantes simbólicos (ou reais) de campos antagônicos e contraditórios que constitui a própria essência do Carnaval como um rito nacional. Como conseqüência, as fantasias carnavalescas criam um campo social de encontro, de mediação e de polissemia social, pois, não obstante as diferenças e incompatibilidades desses papéis representados graficamente pelas vestes, todos estão aqui para ‘brincar’, (…) isto é, unir-se, suspender as fronteiras que individualizam e compartimentalizam grupos, categorias e pessoas.”
(…)
“Os personagens do Carnaval não estão relacionados entre si por meio de um eixo hierárquico, mas por simpatia e por um entendimento vindo da trégua que suspende as regras sociais do mundo da plausibilidade: o universo do quotidiano.”
Da Matta, Roberto. Carnavais, malandros e heróis.






